Texto produzido por Dr. Victor Carvalho, médico otorrinolaringologista pela USP, com prática dedicada à cirurgia nasal em São Paulo. CRM 194973-SP — RQE 92679.
Revisado e atualizado em abril de 2026.
Essa é uma das dúvidas que mais aparecem antes da cirurgia — e entendo o porquê. Ninguém quer sair de uma rinoplastia com uma marca visível no rosto. A boa notícia é que, na grande maioria dos casos, as cicatrizes da rinoplastia são discretas ou praticamente imperceptíveis. Mas vale entender onde ficam, como evoluem e o que pode ser feito para otimizar esse processo.
Aberta ou fechada: onde fica a cicatriz?
A localização da cicatriz depende da técnica utilizada. Na rinoplastia fechada (endonasal), todas as incisões são feitas dentro do nariz — sem nenhuma cicatriz visível externamente. Na rinoplastia aberta, existe uma pequena incisão na columela — a base do nariz, entre as narinas. Essa cicatriz costuma ser pequena, bem posicionada e, com o tempo, tende a ficar praticamente imperceptível.
Qual técnica eu uso — e por quê
Na minha prática, prefiro a rinoplastia aberta na maioria dos casos. A exposição das estruturas internas é maior, o controle sobre o planejamento cirúrgico é melhor e o resultado tende a ser mais preciso. Faço a técnica fechada em raras exceções — quando o caso específico permite e indica essa abordagem.
Vale dizer que isso varia de cirurgião para cirurgião. A técnica fechada era predominante antigamente, foi sendo substituída pela aberta, e hoje alguns cirurgiões têm retomado seu uso. O mais importante não é qual técnica — é quem a executa e com que critério ela foi escolhida para aquele caso. Conheça as técnicas de rinoplastia estruturada e de preservação.
O que fazemos para melhorar a cicatrização — dentro da cirurgia
Há dois anos incorporei ao meu protocolo cirúrgico a aplicação de PRP (Plasma Rico em Plaquetas) na ferida operatória ao final da cirurgia. O PRP é obtido do próprio sangue do paciente, concentrado em fatores de crescimento que aceleram e qualificam a cicatrização dos tecidos.
Os resultados que tenho observado nesse período são consistentes: cicatrização mais rápida, melhor qualidade da cicatriz e recuperação mais tranquila. É uma etapa que adiciona valor real ao procedimento — e que vem do próprio organismo do paciente, sem substâncias externas.
A cicatriz melhora com o tempo?
Sim. Como qualquer cicatriz, ela passa por um processo natural de maturação: vai clareando, ficando mais fina e se integrando à pele ao longo dos meses. O protetor solar com FPS mínimo de 50 é essencial nesse período — a exposição solar sem proteção pode escurecer a cicatriz de forma permanente. Acompanhe a evolução do resultado após a rinoplastia.
Quem cicatriza pior — e quando cuidados extras são necessários
Existe um perfil de paciente que exige atenção redobrada na cicatrização. Os principais são:
- Tabagistas ativos ou de longa data: a nicotina compromete a circulação e a oxigenação dos tecidos — o que impacta diretamente a qualidade da cicatrização. A abstinência antes da cirurgia é condição indispensável.
- Pacientes com manipulação prévia da parte externa do nariz: quem já fez rinoplastia anterior ou foi submetido a rinomodelação definitiva tem tecidos com vascularização alterada e maior risco de cicatrização comprometida. Nesses casos, cuidados extras podem ser necessários — como sessões de câmara hiperbárica, que aumentam a oxigenação dos tecidos e favorecem a recuperação.
Esses casos não são impeditivos para a cirurgia — mas exigem planejamento mais cuidadoso e acompanhamento mais próximo. Veja os cuidados pré e pós-operatórios da rinoplastia.
Uma boa cicatriz começa dentro da cirurgia — e se consolida com os cuidados que vêm depois.
AVISO IMPORTANTE
Este texto tem caráter exclusivamente informativo e educacional. Não substitui consulta médica nem tem qualquer intenção diagnóstica. As informações aqui apresentadas servem para te ajudar a entender como evoluem as cicatrizes após rinoplastia, mas nenhuma decisão sobre cirurgia pode ser tomada com base em conteúdo digital.
A decisão por uma rinoplastia exige avaliação médica completa: anamnese detalhada, exame físico, videoendoscopia quando indicada e análise integrada dos exames de imagem. Cada caso é único.
Conforme orientações do Conselho Federal de Medicina (Resolução CFM 2.336/2023), conteúdos médicos veiculados em meio digital têm finalidade educativa e não devem ser interpretados como recomendação clínica individual.
